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Desigualdades tecnológicas ainda desafiam as escolas no Brasil

há 2 dias
5 min de leitura

Dados da TIC Educação 2025 e da UNESCO mostram que a transformação digital exige mais do que acesso à internet. Diferenças regionais, capacitação profissional e infraestrutura adequada continuam sendo desafios para levar novas tecnologias a todas as instituições de ensino.


Por Perfilcomp, Farroupilha/RS

27 de outubro de 2026


A inteligência artificial já chegou à gestão escolar, plataformas digitais fazem parte do planejamento pedagógico e novas ferramentas prometem transformar a maneira como professores ensinam e alunos aprendem. Mas será que todas as escolas brasileiras estão igualmente preparadas para essa transformação?


A resposta exige olhar além da quantidade de computadores ou da existência de uma conexão à internet.


O Brasil possui uma realidade educacional marcada por diferenças regionais, econômicas e estruturais. Essas desigualdades também aparecem na maneira como as instituições incorporam tecnologias digitais, desenvolvem competências e se preparam para utilizar ferramentas mais avançadas.


Dados da TIC Educação 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), revelam diferenças importantes na adoção de inteligência artificial entre gestores escolares de diferentes regiões do país.


Na região Norte, 38,7% dos gestores declaram utilizar IA em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. No Nordeste, o percentual chega a 52,1% e, no Sudeste, a 53,6%.

Esses números não medem diretamente a infraestrutura das escolas, mas mostram que a incorporação de novas tecnologias não acontece de maneira uniforme no território brasileiro.

E essa diferença levanta uma questão importante: como garantir que a transformação digital da educação não amplie desigualdades que já existem?


O desafio vai além de conectar escolas

Durante muito tempo, a inclusão digital na educação esteve associada à instalação de computadores e à expansão do acesso à internet. Esses investimentos continuam fundamentais, mas as necessidades das instituições evoluíram.


Hoje, uma escola conectada pode depender de diferentes sistemas para realizar atividades administrativas, compartilhar materiais, oferecer recursos pedagógicos e armazenar informações de professores e estudantes.


Com a chegada da inteligência artificial, surgem novas demandas relacionadas à capacidade de processamento, integração de dados, segurança da informação e disponibilidade dos serviços digitais.


Isso significa que duas escolas com acesso à internet podem apresentar condições tecnológicas muito diferentes. Uma instituição pode contar com conexão estável, equipamentos atualizados, suporte técnico e plataformas integradas. Outra pode enfrentar dificuldades para utilizar os mesmos recursos por limitações de infraestrutura ou capacitação.

Por isso, estar conectado não significa necessariamente estar preparado para a educação digital.


Estudantes desenvolvem atividades práticas de robótica e programação em laboratório, explorando tecnologias que estimulam a inovação, o aprendizado colaborativo e o desenvolvimento de competências digitais.
Estudantes desenvolvem atividades práticas de robótica e programação em laboratório, explorando tecnologias que estimulam a inovação, o aprendizado colaborativo e o desenvolvimento de competências digitais.

A desigualdade tecnológica também é um problema mundial

O desafio brasileiro faz parte de uma realidade internacional mais ampla.


Segundo o relatório Global Education Monitoring Report 2023, publicado pela UNESCO, apenas 40% das escolas primárias do mundo tinham acesso à internet no período analisado.

O dado evidencia que a conectividade escolar ainda era um desafio global, especialmente em países e comunidades com menos recursos.


O relatório também destaca que o acesso às tecnologias educacionais varia de acordo com a renda dos países, as condições socioeconômicas das comunidades e a preparação dos professores. Isso significa que a expansão tecnológica, quando não acompanhada por políticas de inclusão, pode beneficiar primeiro as instituições que já possuem melhores condições estruturais.


A UNESCO alerta que os estudantes mais desfavorecidos frequentemente encontram maiores obstáculos para aproveitar os benefícios das ferramentas digitais. Nesse cenário, ampliar o acesso não é apenas uma questão de modernização. É também uma condição para reduzir desigualdades educacionais.


As diferenças brasileiras aparecem também na adoção da IA

A TIC Educação 2025 permite observar como a transformação digital começa a assumir características distintas entre regiões brasileiras. A adoção de IA por gestores escolares, por exemplo, apresenta uma diferença de aproximadamente 14,9 pontos percentuais entre o Norte e o Sudeste, segundo as estimativas da pesquisa.


É importante destacar que esse indicador representa o uso declarado da tecnologia em atividades de gestão, e não uma medição direta da qualidade da infraestrutura ou da aprendizagem dos estudantes. Ainda assim, o resultado ajuda a identificar diferenças que merecem investigação.


A incorporação de novas tecnologias depende de diversos fatores, incluindo disponibilidade de ferramentas, capacitação profissional, condições de conectividade e organização das instituições. E, à medida que soluções de inteligência artificial se tornam mais presentes no ambiente educacional, essas condições ganham importância.


Sem uma estratégia capaz de considerar as diferentes realidades das escolas, existe o risco de que as instituições mais preparadas avancem rapidamente, enquanto outras encontrem dificuldades para acompanhar a transformação.


A infraestrutura invisível por trás da educação digital

Quando pensamos em tecnologia nas escolas, normalmente lembramos dos equipamentos utilizados pelos alunos e professores.


Mas uma parte fundamental da transformação digital acontece longe das salas de aula. Sustentam muitas das aplicações utilizadas pelas instituições de ensino:

  • Servidores

  • sistemas de armazenamento

  • redes

  • ferramentas de segurança

  • plataformas de gestão

  • ambientes de processamento


Essa infraestrutura permite armazenar informações acadêmicas, disponibilizar conteúdos, integrar sistemas e manter serviços funcionando com confiabilidade.


Também se torna relevante para projetos mais avançados, como análise de dados educacionais, laboratórios virtuais, simulações e aplicações de inteligência artificial.


Entretanto, nem todas essas soluções exigem que cada escola mantenha servidores próprios ou infraestrutura de computação de alto desempenho. Dependendo da necessidade, podem ser utilizadas arquiteturas compartilhadas, serviços em nuvem ou estruturas centralizadas nas redes de ensino. O mais importante é que os investimentos sejam dimensionados de acordo com a realidade de cada instituição.


Modernizar a educação não significa simplesmente adquirir a tecnologia mais avançada, mas construir uma infraestrutura adequada, segura e capaz de evoluir com as necessidades educacionais.


O futuro da educação digital precisa alcançar todas as escolas

O Brasil já apresenta sinais importantes de incorporação de novas tecnologias à educação.

Mas os dados também mostram que essa transformação não ocorre de maneira homogênea.


Enquanto parte das instituições começa a explorar aplicações de IA e novas formas de utilizar dados, outras ainda precisam fortalecer as condições necessárias para aproveitar plenamente os recursos digitais. A experiência internacional reforça que a tecnologia, isoladamente, não resolve os desafios educacionais. É necessário combinar infraestrutura, formação de professores, planejamento e avaliação de resultados.


O próximo passo da transformação digital brasileira, portanto, não deve ser medido apenas pela quantidade de ferramentas adotadas. É preciso observar quantas escolas conseguem utilizá-las com qualidade, segurança e continuidade, e quais ainda precisam de apoio para chegar a esse estágio.


Uma educação verdadeiramente digital não será aquela em que apenas algumas instituições utilizam as tecnologias mais avançadas, mas aquela em que mais estudantes tenham condições reais de se beneficiar delas.



                                                                                                                                                                  


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A modernização tecnológica de instituições de ensino exige planejamento, infraestrutura adequada e soluções capazes de acompanhar novas demandas educacionais.


A PerfilComp e a PerfilGlobal apoiam instituições de educação e pesquisa na estruturação de ambientes tecnológicos, com soluções de servidores, armazenamento, redes, segurança, computação de alto desempenho e infraestrutura para inteligência artificial.


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Fontes

Cetic.br — TIC Educação 2025. Indicadores da pesquisa com gestores escolares, especialmente a tabela D8, sobre percepções relacionadas ao uso de tecnologias digitais nas escolas. Dados extraídos das planilhas oficiais de proporções disponibilizadas pelo Cetic.br.

UNESCO — Global Education Monitoring Report 2023. Technology in Education: A Tool on Whose Terms? Relatório internacional sobre acesso, equidade, aprendizagem, formação de professores e governança das tecnologias educacionais.


Nota metodológica: Os percentuais brasileiros de adoção de IA representam estimativas de uma pesquisa amostral e estão sujeitos a margens de erro. O indicador mundial de conectividade refere-se às escolas primárias e ao período documentado no relatório de 2023. Os indicadores não devem ser interpretados como uma comparação direta de desempenho tecnológico entre o Brasil e o mundo.

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